Sozinha na noite escura,
Esplendorosa e cheia de segredo,
Ela aproxima-se a passos ligeiros,
Os olhos atentos, gelados de medo.
O perigo à espreita na esquina,
Ansiando o próximo passo.
Ela sente o frio na espinha
Como um gélido abraço.
Até mesmo a lua, apavorada,
Escondera-se atrás da nuvem escurecida.
Os gemidos ecoam pelo beco,
E uma gritaria enfurecida.
Noturna não teme a noite,
Somente as horas lentas do dia -
O dia é claro como um espelho límpido,
Enquanto a noite tem sua luz sombria.
Ela caminha a passos incertos,
Com os olhos e os ouvidos atentos.
Escuta os assobios da ave taciturna,
E sente os sussurros no vento.
Só mais um Anjo de asas cortadas,
Voando alto como o frágil papel.
E devagar vão se extinguindo,
Engolidas pelo longínquo céu.
Apesar das tantas camadas de pele,
Ainda lívida, Ela parece morta...
E sorrir - esse sorriso forçado -
Para esses rostos que não a suporta.
E mesmo com toda essa tristeza contida,
O Anjo noturno reluz no escuro,
Buscando um pouco de conforto nas sombras,
Chorando pedras atrás do muro.
A vergonha engasgada em seu peito,
Refletida em sua doce face,
Rápido ela se esconde na palidez noturna,
Antes que perca o disfarce.
Quando a noite cai sobre a terra,
Algumas pessoas tornam-se rudes e vazias
Retalhando o Anjo, quase sem vida,
Com suas carícias grotescas e frias.
Esses monstros, que habitam na noite morta,
Destroçam o Anjo, tornando-o pó.
Jamais temem, mostram sua face no escuro,
Quando Noturna anda só.
An. P. Maciel

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