Fico perdida nessas lembranças de
pele
E enlaçada nesse enigmático
sorriso.
Puxo um último fôlego preso à
garganta,
Doce sinfonia ao alcançar o
paraíso.
Desfaleço ao poucos nesse eterno
delírio,
A volúpia desmanchando esses
corpos unidos.
Gritos! O suor frio rastejando
por cada poro sensível
E misturando-se aos outros
fluídos.
Sinto o calor! Sinto as unhas
rasgando
A carne quente, saborosa e crua.
Esqueço-me um pouco nessas
respirações angustiantes
E na jura silenciosa dessa
carícia nua.
Dentes e línguas nessa dança
sincronizada
Da canção de gemidos e suspiros
desenfreados.
O sangue corre antes que o
coração sinta
O desespero desses batimentos
descompassados.
Os soluços tão altos, a fantasia
tão perto,
Fortemente, emaranhados nesse
choro engolido.
As mãos sedentas, imunes à razão
tentadora,
Esmagando sem dó esse corpo
exaurido.
Risos e lágrimas nesse ritual
divino
De força e fraqueza, sem vítima e
sem algoz.
O desejo explode, as bocas
imploram
Com beijos e sopros e sem nenhuma
voz.
Esse ato insensato, primitivo e
bem vindo,
Unindo esses corpos sem correntes
e laços,
Que acorda os extintos tão bem
escondidos
E acalma a ânsia num singelo
abraço.
An. P. Maciel

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