terça-feira, 29 de abril de 2014

Inflamável




Tristes olhos verdejantes
Desmanchando-se em ácido
Sobre  a pele flamejante
Desse rosto tão pálido.
Diluindo o choro tão incessante,
Corroendo a garganta como veneno.
Que à cada lágrima borbulhante
Marca à fundo o semblante sereno.

A dor que fica é irritante
De cada cicatriz inflamável,
Devorando a ferida num instante
Desfazendo-se do sangue intragável.
O olhar agora vago e conflitante,
Absorto em paisagens distorcidas,
Derramando as mágoas num silêncio gritante
De cada lembrança vivida.

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As íris antes brilhantes,
Agora frias em nuances sombrias
São rubras como o fogo irradiante
De intensa melancolia.

An. P. Maciel

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