sábado, 20 de dezembro de 2014

Quem me dera!





Ah, quem me dera!
Quem me dera poder passar
um dia sem dor alguma,
dor de cabeça,
de cotovelo,
ou aquela dor de amor enclausurada no peito,
essa chaga aberta a sangrar!

Quem me dera, somente, um dia
confortante de não sentir!
E extrair bem lá de dentro
todo esse dissabor preso à garganta.
Quero gritar, secar as lágrimas,
extravasar e, talvez, sorrir.

Jogar bem longe esse gosto amargo,
e essas lembranças que uma vez provei.
Não quero mais esses sentimentos destroçados
no meu peito acumulados,
pedaços e mais pedaços,
que um dia desses guardei.

Meu coração tão frágil e remendado,
ocupado em todos os estreitos espaços
limitados de mim,
ainda usado deixado aos trapos,
ferido e esgotado.
Não há um só sopro de alegria,
mas a esperança inflama sem fim.

Um dia sem dor apenas, quem me dera!
Sem ganhos;
sem perdas;
sem culpas...
Sem pesar.
Como se a mente voltasse ao começo,
a iluminação perfeita e sincronizada
em que o pensamento se perde
e me acho em mim mesma,
nua como no início de tudo -
duas asas abertas no ar.

An. P. Maciel

Nenhum comentário:

Postar um comentário