Ah, quem me
dera!
Quem me dera
poder passar
um dia sem
dor alguma,
dor de
cabeça,
de cotovelo,
ou aquela dor
de amor enclausurada no peito,
essa chaga
aberta a sangrar!
Quem me dera,
somente, um dia
confortante
de não sentir!
E extrair bem
lá de dentro
todo esse
dissabor preso à garganta.
Quero gritar,
secar as lágrimas,
extravasar e,
talvez, sorrir.
Jogar bem
longe esse gosto amargo,
e essas
lembranças que uma vez provei.
Não quero
mais esses sentimentos destroçados
no meu peito
acumulados,
pedaços e
mais pedaços,
que um dia
desses guardei.
Meu coração
tão frágil e remendado,
ocupado em
todos os estreitos espaços
limitados de
mim,
ainda usado
deixado aos trapos,
ferido e
esgotado.
Não há um só
sopro de alegria,
mas a
esperança inflama sem fim.
Um dia sem
dor apenas, quem me dera!
Sem ganhos;
sem perdas;
sem culpas...
Sem pesar.
Como se a
mente voltasse ao começo,
a iluminação
perfeita e sincronizada
em que o
pensamento se perde
e me acho em
mim mesma,
nua como no
início de tudo -
duas asas
abertas no ar.
An. P. Maciel

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