Se existe uma coisa no universo que eu não suporto: é falar de mim mesma. Também não
suporto falar dos outros. Por mais afiada que minha língua esteja, prefiro
mantê-la quietinha dentro da boca – ou fazendo alguma coisa de útil ^^. Por
isso sempre me sinto desconfortável em roda de amigos, colegas de trabalho e, o
mais embaraçoso, em roda de familiares (engraçados que nessas reuniões o
assunto principal é sempre eu. Parece até que rola uma conspiração ali pra me
fazer passar vergonha.).
Posso
falar de qualquer coisa, tenho assuntos intermináveis e os mais variados
possíveis dentro da cachola. Adoro conversar, matutar, rir, observar e
comentar, mas quando o assunto fica mais pessoal saio pela tangente. Tanto faz
se o foco sou eu ou o cara da lanchonete ao qual eu nunca tive o prazer de ser
apresentada. E quando rolam lágrimas então -- “alguém me mata”-- eu fico
pensando. Na boa, não sei se abraço ou dou o telefone de um psiquiatra. E se
tem uma coisa que odeio mais que falar de mim mesma e falar dos outros é chorar
ou vê outros chorando.
Não
sou insensível, nem psicopata, sou geminiana. O que vai contra as leis dos
geminianos -- como um geminiano pode ser tão introvertido em relação a si
mesmo? -- nasci no mês errado só isso. Mas, como disse anteriormente, eu adoro
conversar.
Podemos falar de Game Of Thrones, Copa do
Mundo e Conflitos no Oriente Médio, tudo na mesma conversa e eu amarei
explicar, expor meu ponto de vista e ouvir as opiniões contrárias. Podemos falar
de música -- Beatles, Ramones, de todas as bandas de Metal Gótico, de Raul,
MPB, enfim, eu tenho gostos variados e a mente aberta, livre de qualquer
preconceito musical (até pra quem curte Funk).
Falando
em preconceito, é uma coisa que eu odeio mais que falar de mim mesma, falar dos
outros, chorar e ver outros chorando. O mundo já possui tantos defeitos: governos
destrutivos, guerras, chuvas ácidas, terremotos e as "pessoinhas" vão ficar mais
interessados com quem fulaninha(o) “ta” dormindo, ou que roupa “ta” vestindo, que
música “ta” ouvindo ou, o mais sem noção, as pessoas são julgadas pela cor de
sua pele. Isso é tão pré-histórico. O mundo muda, tecnologias avançam, mas o
cérebro das pessoas continua do mesmo tamanho. Ditas criatura que adoram Os
Simpsons, Os Smurfs,O Incrível Hulk... Enfim, hipocrisia a mil por hora e eles
nem percebem. Eu mesma já fiquei rosa, amarela, verde, vermelha, laranja e até
roxa. Só me falta ficar cinza.
Então
vamos falar de tudo, menos de mim. Pode me perguntar como eu me sinto e eu
posso mentir como resposta. Pode me perguntar como anda o meu relacionamento e
eu posso divagar como resposta. Pode me perguntar dos meus problemas e eu posso
sorrir como resposta. Mas nunca me pergunte como me enxergo, você não irá gostar
da resposta.
Pode
me perguntar das minhas manias, tenho muitas. Uma em especial é de não saber
que roupa eu usei hoje cedo. Não eu não tenho uma memória ruim, só não me
importo e se não me importo, não reparo e se não reparo, não me lembro. Isso acontece
também em relação às pessoas. Não me pergunte que roupa ou que corte de cabelo
o carinha que eu estava ficando estava usando, não saberei responder. Meu
cérebro exclui coisas inúteis. Mas, por outro lado, eu saberei de outras informações
importantíssimas que ficarão grudadas no meu "cerebrozinho" pra sempre: como a
maciez da pele, perfume, a cor dos olhos, sorriso e o timbre de voz -- essas
coisas eu nunca esqueço. Podem passar anos sem ver essas pessoas, mas sempre
vou lembrar-me de um detalhe especial. E se nos esbarrássemos na rua, reconheceria.
E se rola mágoa então, posso superar, mas nunca esqueço.
Às
vezes eu falo de mim de uma forma meio torta em poemas tolos, mas eles não excluem
a verdade, basta ler nas entrelinhas.
~An. P. Maciel
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