Em um cenário tenebroso,
como a pele áspera e fria.
Nas trevas que me tomam,
ouço gritos, lamentos... Nostalgia.
Chegou o arrependimento,
mas agora já é tarde,
em meu peito ainda arde
essa grande agonia.
Já não suporto mais esse tormento
e o que me resta é o cemitério.
Graças a uma vida complicada,
agora o meu espírito está morrendo.
Estou morrendo
e a dor é insuportável.
Sinto como se estivessem
estraçalhando meu corpo inteiro.
Já não sinto mais nada.
Só me resta o espírito,
mas não por muito tempo,
pois o Inferno me chama.
Não chore,
nem fique pasma
com minhas palavras sombrias.
Você não tem culpa,
eu mereço tudo isso.
Aqui se faz
e no Inferno se paga.
Pena eu só ter visto isso tarde demais.
Sinto a terra batendo no meu rosto.
Não vejo flores,
não sinto perfumes,
não vejo um rosto,
não vejo ninguém,
não ouço choros.
Vejo apenas o coveiro
fazendo o seu trabalho,
jogando terra
em um túmulo vazio.
An. P. Maciel

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