Recebi rosas hoje,
não sei por qual motivo,
não é meu aniversário.
Nem sei quem as enviou,
também não veio nenhum cartão.
Parece estranho, mas as recebi
de coração aberto e mente desconfiada.
Nesse dia tão mórbido,
de ar morfado e paisagens cinzas,
recebi rosas por qualquer motivo.
Que me cortaram com seus espinhos,
fazendo meu sangue escorrer
por entre os dedos.
Já nem me lembro
de que cor eram as rosas.
Não sei se eram brancas,
pintadas de vermelho,
ou se eram vermelhas,
pintadas com meu sangue.
Só sei que as guardo aqui,
perto dessa lápide sem cor
e também sem nome.
An. P. Maciel

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