Sepultada às lágrimas,
Em prantos, me desfaleço.
O ar torna-se asfixiante,
Sem querer, adormeço.
As feridas se abrem,
Mas a dor desaparece,
Eu sangro por dentro
E me medo padece.
Afogo-me nos meus pensamentos,
Caio num abismo sem fim.
Sufoco essas mágoas
Com fúria dentro de mim.
Perco-me por alguns instantes
Em algum lugar desconhecido,
Um lugar que me liberta.
O jardim dos sonhos esquecidos.
Onde flores mortíferas,
Em um gesto de carinho,
Sangram-me a cada toque
Com seus venenosos espinhos.
Deixando cortes profundos,
Que cicatrizam a cada suspiro,
Mas nunca me senti tão viva
E, agora sim, eu respiro.
Apesar do frio
Que me deixa quase morta,
Com seu cobertor gelado,
Esse jardim me conforta.
Apesar da solidão.
O silêncio me faz companhia.
Assim não corro o risco
De ser traída algum dia.
A noite chega,
A escuridão toma seu lugar
E mais uma vez adormeço,
Desejando nunca mais acordar.
An. P. Maciel

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