quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Mortificação



Uma sensação de pânico
Invade o meu quarto,
Meu coração bate, quase parando...
Sinto o meu corpo ensanguentado.

Todas as memórias,
Aos poucos foram esquecidas.
E o que me restava de esperança,
Covardemente  foi pedida.

Pensamentos vazios,
Habitavam minha mente.
Esses pesadelos ruins,
Perseguem-me eternamente.

Com esse desejo insano,
Meus pulsos foram cortados.
Deixei os meus sonhos de lado,
Todos dilacerados.

Viver sem esperança
Não tem o menor sentido,
A morte invade nossas mentes,
Tentamos o suicídio.

Deitada aqui nessa cama,
Vejo minha vida passando,
Tão devagar sobre os meus olhos...
Não estou mais respirando.

Finalmente o sangue pára de escorrer
E, finalmente, a dor foi-se embora.
O frio invade meu corpo,
A morte me devora.

Agora me juntarei aos outros,
Os indignos de um funeral,
Sobre o freezer congelado
Desse maldito hospital.

Meu corpo agora mutilado
Nesse imundo necrotério,
Como um sem nome será jogado,
Num sombrio cemitério.

An. P. Maciel



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