Na escuridão do vale,
O paraíso de todos os vampiros,
Lá me sinto segura...
Lá, perfeitamente, respiro.
Os monstros não mais me assustam,
Tornaram-se meus amigos.
Conquistaram minha confiança,
Com eles não corro perigo.
Nesse paraíso sombrio,
De corpo e alma medito.
Foi o refúgio que encontrei
Para fugir deste mundo maldito.
Meus pesadelos
Tornaram-se agradáveis,
Sonhos coloridos
Cheios de miragens.
O medos que eu sentia,
Foram todos superados,
Encontrei meu caminho,
Esqueci meu passado.
Os seres que me atormentam,
Vivem aqui, na realidade.
Não passam de seres humanos,
Repletos de maldades.
Mutilaram o meu espírito,
Dilaceraram a minha confiança,
Perdi o controle,
Fiquei sem esperança.
Finalmente me reencontrei,
Nesse maldito vale sagrado
De folhas secas e nevoeiros,
De vento quente e ar congelado.
Aqui eu sou rainha,
Ganhei respeito e adoração.
Grande mundo imperfeito,
Minha mais perfeita criação.
...
Na escuridão do vale,
O paraíso de todos os vampiros,
Lá recuperei minha alma...
Lá, finalmente, eu respiro.
Oh, meus amigos da noite,
Dignos de confiança,
Devolvam-me os sonhos,
Devolvam-me a esperança!
Só assim, então, morrerei
E descansarei eternamente,
Sem culpa alguma
Para importunar a minha mente.
Adeus, amigos vampiros!
Nos veremos daqui a pouco,
Congelaremos no vale
E derreteremos no fogo.
...
Na escuridão do vale,
O meu esconderijo do medo,
Lá supero tudo...
Lá não enlouqueço.
Lá estou segura,
Imune por toda a eternidade
Desse vírus pegajoso,
Que é a humanidade.
Misterioso vale encantado,
Devolva-me as minhas fantasias.
Permita que volte a ser
A criança que fui um dia.
Quero voltar a acreditar
Nesse pensamento imundo,
E em todos os sobreviventes
Que restaram neste mundo.
An. P. Maceil

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