Sinto, mas a minha chama se apagou.
Em meu interior, resta somente as feridas.
Que nem estão abertas, doloridas
E, aos poucos, me fazem sangrar.
Sem fé para seguir em frente,
Com o espírito doente, me perco neste caminho
Coberto por espinhos
Que não mais, me importo em pisar.
Não tenho mais nada pelo o que lutar,
Sem lâminas para me cortar, não tenho motivos para viver.
No mais profundo dos sonos, quero adormecer
E não despertar jamais.
Não vejo ninguém em minha direção,
Tão somente a solidão que me faz companhia,
Que me conforta nesta brisa fria...
Sinto, mas não consigo mais.
Agora eu sei, sempre estive sozinha.
Perdida e sem forças para continuar,
Sem alguém para me abraçar,
Não tenho mais passos para seguir.
A muito tempo carrego esta carcaça vazia,
Presa nesta agonia, busco algo que não existe,
Que me consome, que me deixa triste...
Que não me deixa prosseguir.
E em nome de tudo que eu acreditei cegamente,
Com o coração insistente, enfim eu desisto.
Com meu corpo ferido,
A morte me confortará algum dia.
An. P. Maciel

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