sábado, 21 de dezembro de 2013

Post Mortem

"(...) Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida
À sombra de uma cruz, e escreva nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida. (...)"
Lembranças de Morrer - Álvares de Azevedo




Desejo que nenhuma gota de lágrima,
Por mim, seja desperdiçada
Na hora que Eu, enfim, adormecer
No sono perfeito da morte.

Vou-me como o sol adormecido,
Que se vai frio, entristecido
Dando lugar à escuridão da noite,
Escondendo os pecados desse mundo.

Desejo que nenhuma rosa,
Por mim, seja sacrificada
E nem seja lançada
Nesse túmulo imundo.

Deixe somente esse corpo cadavérico
Em um caixão lacrado,
Para que seja jogando aos vermes.
Não quero sentir nenhum perfume,
Tão somente, o odor das velas derretidas
E do meu corpo apodrecido.

Desejo que nenhuma melodia de dor,
Por mim, seja cantada.
Deixe somente os passarinhos
Entoarem suas canções serenas,
Que levam embora qualquer mágoa.

Deixe-me somente ouvir o silêncio
E os passos do Anjo Negro que se aproxima.
Não quero ouvir lamentos,
Apenas... Somente... E de uma vez por todas,
O silêncio da minha mente.

An. P. Maciel

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