sábado, 18 de janeiro de 2014

Lágrimas Secas


Depois de tantos lamentos,
Sufocando essa angústia
Em um espírito doente,
Em seu corpo ela revela
Toda a dor que sente.

O maior prazer de um suicida
É matar-se aos poucos,
Pois a Alma já está morta
E resta apenas os fragmentos do corpo.
Ela já não sente mais nada
E mutila sua pele sem escrúpulos.

E sua vida é tão monótona,
Tudo tão repetitivo
Que ela já nem sabe o que é viver.
A armadura, pela qual ela se esconde,
Aos poucos vai se desmontando.
Ela desconta tudo, sem pudor algum,
Em seu corpo já embranquecido.

Como é triste sentir dor
E não poder chorar,
Para não sufocar a dor dentro de si,
Tudo que ela podia fazer
Era gritar...
Gritar, gritar e gritar
Até a garganta secar
E não haver mais voz,
Somente gemidos.
Gemidos de dor, de desamor... De desespero.

Seu coração não bate,
Mas é frágil como vidro
E, aos poucos, os cacos vão se perdendo.
Não escorre nenhuma lágrima pelo seu rosto,
Mas seus olhos estão inchados
Como se ela tivesse chorado.

Ela vai rasgando sua pele lentamente,
Para que o sangue deslize bem devagar
E para que a dor se liberte de sua Alma,
Saindo pela ferida
Causada por ela mesma.

E, assim, o sangue substitui suas lágrimas secas
E as dores das feridas
Fazem ela esquecer sua mágoas,
Mas as feridas se fecham
E a dor abafa em seu interior...
E tudo o que lhe resta
É a vontade de cortar outra vez a pele,
Para que, junto com o sangue,
A dor escorra pela ferida
E suma de uma só vez de sua Alma.

An. P. Maciel




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