sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Trancada




Acordei em uma sala, não lembro-me como cheguei até aqui. Esse recinto é bastante escuro, mas a pouco luz que lhe resta me permite ver melhor o lugar. Parece um cenário de guerra, uma desordem podre coberta por sangue. Tive medo de caminhar por ali, mas eu não tinha escolhas, tinha que investigar aquele lugar e encontrar uma maneira de sair.

Eu estava trancada e, a cada passo que eu dava, gritos estrondavam em meus ouvidos. As paredes começaram a sangrar, pareciam estar vivas. Mais alguns passos, a luz começara a ficar um pouco mais fraca, minhas mãos começaram a formigar, eu tinha que me proteger das “coisas” que habitavam aquele lugar fétido, por isso e, só por isso, peguei uma barra de ferro no chão... Eu estava em pânico.

Caminhando, vagamente, encontrei uma porta e não estava trancada, entrei. Não deveria ter cruzado aquela porta, haviam seres rastejantes, grotescos e prontos para me machucar. Comecei a golpeá-los com o ferro, o sangue espirrava em meu rosto me trazendo uma sensação de alívio e prazer. Eles começaram a soltar alguns sons que eu não compreendia, continuei golpeando-os até não ouvir mais nada, depois continuei minha busca pela saída. Quando pensei estar proxíma à ela, as coisas começaram a ficar mais aterrorizantes. Mais gritos, mais sangue e eu não sei como sair daqui.

No final de alguma sala, encontrei uma escada que desce, desci... Ali parecia uma espécie de porão, úmido e morfado. Ouvi um grunhindo, não parecia ser de algum animal e, de repente, começou a sair uma coisa das paredes, algo que ia tomando forma. Não esperei sair, comecei a atacar, seja lá o que fosse, com o ferro. E mais gritos, os meus ouvidos pareciam que iam estourar a qualquer segundo. Mas, enfim, conseguir destruir a criatura que não conseguiria identifica-la, pois só restaram sangue e ossos quebrados.

Dei uma olhada pelo local e encontrei um machado, segui em frente e encontrei outra porta. Entrei, de novo aqueles vermes rastejantes, mas agora foi bem mais fácil com o machado. O estranho é que, dessa vez, comecei a ouvir crianças chorando e gritando. Era doloroso demais, gostaria de saber quem era o monstro que estava fazendo aquilo.

E assim fui seguindo, entrando em qualquer porta que encontrava, matando qualquer criatura que surgia. Demônios, mutantes, espectros... Nada era pário para o meu machado, mas a saída eu nunca encontrava.

Continuo presa na minha cabeça, matando qualquer monstro que lá habita, mas os monstros são pessoas e as pessoas não entendem. E quem seria capaz de entender a mente de um psicopata?


An. P. Maciel

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