sexta-feira, 7 de março de 2014

Ele Não Era Bonito




Ele não era bonito,
Mas tinha um sorriso que enfeitiçava.
Um semblante tão meigo,
Que a qualquer um encantava.
Seu cheiro agridoce,
Que por todos os poros exalava,
Deixando minha imaginação livre
Sempre que se aproximava.
Ele não era bonito,
Mas tinha um toque suave,
Cheio de delicadeza.
Todos os gestos eram tão singelos
E de uma profunda simpatia,
E mesmo lhe faltando beleza,
Todos queriam sua companhia.
Não tinha nada, mas possuía tudo.
Tinha um olhar com a pureza da infância,
Possuía um jeito novo de ver o mundo
E apesar de todos os infortúnios,
Era um homem sortudo,
Não possuía ganância.
Ele não era bonito,
Mas cultivava sonhos e esperança
E apesar de já ser um homem feito,
Sem nenhum traço da adolescência,
O rosto marcado pelo sofrimento
E todos os anos de experiência
Ainda possuía os traços de criança.
Ele não era bonito,
Mas, ainda sim, me encantava.
Não mandava flores,
Porque não queria machuca-las,
Mas ouvia, pacientemente, tudo que lhe falava.
E não faltavam palavras doces; nem meigas;
Nem canções a mim dedicadas.
Ele não era bonito,
Mas era o homem que eu amava.
E sim, ele ainda cultiva os sonhos
Mesmo sendo distantes.
E mesmo não fazendo mais parte dos meus planos.


An. P. Maciel

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