“Não se acostume.” –
Esse é o meu mantra diário.
Porque tudo que toco vira
cinzas;
Ou quebra;
Ou vai embora
Deixando-me frustrada
Ou na saudade.
Por isso desprendo-me de
tudo.
Nós nos acostumamos a
qualquer coisa:
Aos ideais e a perder
valores.
Mas o tempo é curto
E logo esquecemos,
E quando menos se espera,
Temos que nos acostumar à
perda dessas coisas.
O desapego é dolorido,
O caminho sem isso é
desconhecido.
Estamos tão acostumados a
perder
Que nem nos damos conta
Que já tínhamos perdido,
Exceto naquele momento
Em que isso se torna,
estritamente, necessário.
Então vem a falta do “algo”
Que não sabíamos para que
servia
Ou porquê acumulávamos aquilo,
Mas o vazio que fica
Nos torna um pouco mais
fracos a cada dia.
Temos a certeza de uma única
coisa:
Nada dura para sempre,
Nem aquele sentimento
inquebrável...
Tudo morre;
Laços se rompem;
Brinquedos se quebram;
Séries são canceladas.
E o resto que sobra é a
saudade...
E temos que nos acostumar a
conviver com ela...
E temos que nos costumar a
perde-la...
Os sentimentos mudam;
O tempo muda;
As pessoas mudam;
Eu mudo...
O prazer é somente
instantâneo;
A felicidade;
E até a dor...
Não que ela seja
instantânea,
Mas, é que as vezes, ela
está tão ligada em meu ser
Que nem percebo...
Mas a ferida continua lá.
Então não me acostumo com
uma cura,
Não existe remédio para a
abstinência.
Então não se acostume...
Doe menos
Quando não sentimos falta.
An. P. Maciel

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