sábado, 26 de abril de 2014

Não Se Acostume




“Não se acostume.” –
Esse é o meu mantra diário.
Porque tudo que toco vira cinzas;
Ou quebra;
Ou vai embora
Deixando-me frustrada
Ou na saudade.
Por isso desprendo-me de tudo.

Nós nos acostumamos a qualquer coisa:
Aos ideais e a perder valores.
Mas o tempo é curto
E logo esquecemos,
E quando menos se espera,
Temos que nos acostumar à perda dessas coisas.

O desapego é dolorido,
O caminho sem isso é desconhecido.
Estamos tão acostumados a perder
Que nem nos damos conta
Que já tínhamos perdido,
Exceto naquele momento
Em que isso se torna, estritamente, necessário.
Então vem a falta do “algo”
Que não sabíamos para que servia
Ou porquê acumulávamos aquilo,
Mas o vazio que fica
Nos torna um pouco mais fracos a cada dia.

Temos a certeza de uma única coisa:
Nada dura para sempre,
Nem aquele sentimento inquebrável...
Tudo morre;
Laços se rompem;
Brinquedos se quebram;
Séries são canceladas.
E o resto que sobra é a saudade...
E temos que nos acostumar a conviver com ela...

E temos que nos costumar a perde-la...
Os sentimentos mudam;
O tempo muda;
As pessoas mudam;
Eu mudo...

O prazer é somente instantâneo;
A felicidade;
E até a dor...
Não que ela seja instantânea,
Mas, é que as vezes, ela está tão ligada em meu ser
Que  nem percebo...
Mas a ferida continua lá.
Então não me acostumo com uma cura,
Não existe remédio para a abstinência.

Então não se acostume...
Doe menos
Quando não sentimos falta.


An. P. Maciel

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