terça-feira, 22 de julho de 2014

Sem Inspiração





Encontro-me agora, afundada,
Magoada em lágrimas sem fundamento,
E por mais que eu insista ou sinta,
Minha cabeça ainda dói e não sai
Nenhum resquício de pensamento.
Nada! Palavras soltas pelo ar
Que perdem-se no vento.
Passa-se o tempo. Tanto tempo!
Horas soltas, revoltas nesse momento
Que me perco, sem poder lembrar,
Nesse frio esquecimento.
E tudo dói por dentro,
Até quando respiro,
E quando me lembro,
Que a dor que fica sem cessar,
É parte do meu sofrimento.
E não tem sede ou fé.
Não há nada que traga
Um pouco de contentamento
Ou descanso para uma mente esgotada,
Que nunca vence o seu próprio tormento ...
Que jamais pára por nada.
Nem quando os pensamentos escapam
E as frase terminam
O poema que acaba sem rimas,
E são tantos nadas
Para preencher a estrofe sem complementos.
Nesses últimos dias busco inspiração.
Em vão!
Os minutos passam tão lentos,
E a única certeza que tenho -
É que meu coração se encontra
Retalhado em milhares de fragmentos
Tão invisíveis quando um átomo
E o núcleo sou Eu.

An. P. Maciel

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