Deixa-me fingir que
está tudo bem,
Que tudo
entre nós é perfeito,
E o que há de pior já
tenha passado,
Até mesmo o mal que já tínhamos feito,
E as promessas
esquecidas que tínhamos quebrado.
Sei que o passado não
tem mais jeito,
Impossível curar o
coração magoado
Que em lascas e cacos
sangra no peito.
Deixa-me sentir essas
carícias enxutas
Na chuva a esquentar
minha pele molhada
No teu fogo interno
mais que perfeito.
Quero esquecer e
esqueço acordada
Todos os planos que tínhamos desfeito,
Ou sucumbidos foram
pela tempestade anunciada,
Nos distanciando sem
nenhum direito
A caminhos opostos dessa sombria estrada.
Deixa-me nutrir esse
sentimento inacabado,
E descansar em paz
nesse sono perfeito.
Partido fica, as
palavras voaram
Deixando para traz esse
silêncio suspeito.
E todos os amores e
flores calaram
Num luto medonho nesse
vão tão estreito –
Esse coração, que sem
pressa o levaram
A amargar, no mundo, soturno e imperfeito.
An. P. Maciel

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