quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ferida





Ferida, sinto-me dividida
Numa doce brisa
Que perde a calma.
Sufocada em prantos
Nessas poucas gotículas de lágrimas,
Que distorcem todas as paisagens floridas
Tornando-as negras
Como todas essas cauterizadas feridas
Inflamando em meu peito
Cheio de mágoas.
Que não cessam e, inda que cessem,
Dilaceram-me com tal efeito
Soterrando em pedras
A minha Alma.
Ferida, por cada veia rompida,
Os meus dias são temerosos
E demoram passar,
A dor chega
E rancorosa se alastra,
Não sai, só pensa em morar
Nessa ferida,
Que tão faminta por um pouco de vida,
Devora tudo,
Até mesmo a ferida
Que em meu coração fica
E não ousa cicatrizar.

An. P. Maciel

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