sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lamúria



Pássaros mortos sobrevoam
No meu jardim de flores secas,
Onde o horizonte cinza esconde
O mundo por trás dessas cercas.

Vultos aterradores arrepiam dos ossos
Ao meu último fio de cabelo.
Por trás dos portais da morte,
Está o monstro dos meus pesadelos.

A mulher de terras distantes.
"Lamúria." Alguém ousa dizer.
Onde o sol, temeroso, se esconde
E nem mesmo a lua ousa aparecer.

Ventos melancólicos sussurram
O perigo que está a se aproximar.
O silêncio do meu medo grita,
Meus pés trêmulos não saem do lugar.

Sinto meu corpo sufocado
Pelo toque de mil abraços,
Tão fortes, me deixam imóvel,
Quebram-me aos pedaços.

- Mulher da face pálida,
De olhar triste, tão cheio de luxúria,
Diga-me onde és tua casa? -
Ela responde: "Lamúria."

Nessa cercas de arames farpados,
Onde separam vida de fantasia,
Fico perdida em memórias
Que me atormentam dia após dia.

- Mulher de terras distantes,
Onde a canção adormecida entoa,
Não permita que minhas lágrimas
Vertam-se na lagoa.

Aflita ainda insisto:
- Diga-me onde a felicidade se esconde? -
"Lamúria... Lamúria."
Uma voz sinistra responde.

An. P. Maciel


Nenhum comentário:

Postar um comentário