Pássaros mortos sobrevoam
No meu jardim de flores secas,
Onde o horizonte cinza esconde
O mundo por trás dessas cercas.
Vultos aterradores arrepiam dos ossos
Ao meu último fio de cabelo.
Por trás dos portais da morte,
Está o monstro dos meus pesadelos.
A mulher de terras distantes.
"Lamúria." Alguém ousa dizer.
Onde o sol, temeroso, se esconde
E nem mesmo a lua ousa aparecer.
Ventos melancólicos sussurram
O perigo que está a se aproximar.
O silêncio do meu medo grita,
Meus pés trêmulos não saem do lugar.
Sinto meu corpo sufocado
Pelo toque de mil abraços,
Tão fortes, me deixam imóvel,
Quebram-me aos pedaços.
- Mulher da face pálida,
De olhar triste, tão cheio de luxúria,
Diga-me onde és tua casa? -
Ela responde: "Lamúria."
Nessa cercas de arames farpados,
Onde separam vida de fantasia,
Fico perdida em memórias
Que me atormentam dia após dia.
- Mulher de terras distantes,
Onde a canção adormecida entoa,
Não permita que minhas lágrimas
Vertam-se na lagoa.
Aflita ainda insisto:
- Diga-me onde a felicidade se esconde? -
"Lamúria... Lamúria."
Uma voz sinistra responde.
An. P. Maciel

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