Pobre garoto cego
fraquejado, com a cabeça erguida.
Derrotado, sempre lutou na vida...
Ainda assim, sorrir feito bobo para o mundo,
onde esteve tão aprisionado,
onde fora tão humilhado.
Com cuidado, carrega seu único amigo,
perto do seu coração despedaçado,
um velho violão quebrado...
Que a cada nota,
deixa rastros de fantasia.
Sobrevive de esmolas
e alguns doses de hipocrisia.
Pobre garoto cego,
sorrindo para seu mundo sem cores,
com seus aromas podres
e sua luz tão escura.
Pobre garoto cego
em achar que este mundo é perfeito,
que tudo é belo e enigmático...
Que ele fora amaldiçoado
por ser assim, tão cego.
Pobre garoto, como tu foras iluminado
em não conhecer os pecados desse mundo.
Em não fazer parte desses podres imundos
dos quais, para suas canções
as notas definhariam.
Continue com sua ingenuidade...
Continue com sua alegria
e saberá que o mundo perfeito
é aquele não enxergado,
aquele não lembrado.
An. P. Maciel

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