terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tempo



O tempo não curará as feridas
De uma alma tão dolorida.
Nem apagará as cruéis lembranças
De uma vida sem esperança.

O tempo irá destruir
Qualquer felicidade que possa existir
Em uma criatura tão derrotada,
Que, por todos, fora ignorada.

O tempo irá, apenas, matar
Qualquer vestígio de fé que nela encontrar.
A loucura será sua guia
Para liberta-la de toda agonia.

Se Deus desprezou seu sofrimento,
Ela o sepultou sem arrependimento
Lá no fundo do seu espírito doente,
No lado obscuro do seu coração inocente.

O tempo eliminará qualquer fragmento,
Que possa existir em seu pensamento,
Mas, tão somente, o vazio irá deixar
E que nada o preencherá.

Então, o que se passa na mente de uma coitada,
Tão sofrida e tão magoada,
Sem pecados, mas julgada por pecados cometidos,
Sentenciada à morte sem antes ter vivido?

O mundo é tão cruel,
Deu-lhe doces, mas depois o fel.
E a criança tão confusa existira,
Sem saber o que era verdade ou mentira.

E tempo foi passando tão lento,
Mais lento, ainda, o seu sofrimento.
Que ela se perdeu em seu refúgio fechado,
Enclausurado e morfado.

Como seus desejos esquecidos,
Que, por ela, foram vendidos
Em troca da tal liberdade,
Que pudesse tira-la dessa perversidade.

Ela perdeu toda a essência,
Seu destino é a decadência
E a morte do seu corpo enfraquecido,
Mas o destino de sua alma já foi decidido.

O inferno será sua única casa,
Onde poderá voar sem ter asas
E, para suas dores, encontrará uma cura,
Mas toda a eternidade será sua sepultura.

E o tempo vai passando tão lentamente,
Sem apagar qualquer lembrança de sua mente.
Eternizando, sem dó, sua tristeza,
Aproveitando-se de sua fraqueza:

Que é esperar que, talvez,uma dia
Deus, por compaixão, tire sua agonia,
Que a liberte desse tormento
E que ponha um fim ao seu sofrimento.

An. P. Maciel









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