sábado, 12 de outubro de 2013

O Pescador Sonhador




Ansiava com todas as suas forças deixar de ser um simples pescador e se tornar um grande navegador. Como quisera explorar os 7 mares e abandonar aquele velho caís no porto.

Era um rapaz sem ambições. Não era feio, nem belo... Era o homem mais honesto daquelas redondezas.


Certo dia, casara-se com a moça mais linda que seus olhos já haviam visto e, durante muitos anos, esquecera o sonho de ser marinheiro e descobrir o mundo através do oceano.

Não tivera filhos, somente um fiel cachorro e um papagaio cujo as penas já estavam decrepitas de tão velho. E o pobre pescador vivia do pescado, amava o pouco que tinha e era imensamente amado.

Até que um dia, coisas do destinho, à noite no seu velho barco de pesca, o mar que era calmo tornou-se revolto e carregou sem dó o seu barquinho deixando somente os destroços.

O desespero e a dor consumiram o seu coração ao ver seu fiel amigo ser engolido por aquelas águas furiosas. O papagaio, que estava em seu ombro, não tendo forças para voar também afogou-se, deixando o pobre homem a lamuriar. Não tinha volta, não tinha porto, parou de debater-se e começou a afundar.

Em seu interior, somente as lembranças de sua doce Sara, como desejava beija-la  pela última vez. As lágrimas iam fluindo misturando-se às águas salgados do oceano e as lembranças de Sara iam se dissipando aos poucos.

Despertou, não se sabe ao certo quanto tempo, estava a bordo de um navio fabuloso... Parecia um sonho de tão belo. Marinheiros mal encarados iam e viam sem dar-lhes atenção. E o pescador, exausto, pois-se a desbravar o navio dos seus sonhos de menino.

Quanto mais adentrava no enorme barco, maior este se tornava. Seus passos eram intermináveis, não tinha começo, meio ou fim. Aquele navio eram um imenso labirinto repleto de rosto confusos. Estes, assim como o pescador, não sabiam o que faziam ali, nem por quanto tempo estavam ali.

A fome nunca chegava e, quando sentiam sede, bebiam a água do oceano negro. Jamais dormiam, ansiavam pelo dia que nunca chegava, a noite era inacabável. Juntos faziam coro de súplicas para a Lua, a única fonte de luz que jazia naquela grande imensidão sombria.

Lá não havia esperança, nem qualquer vitalidade de um ser humano vivo. Talvez aquele fosse o Holandês perdido ou o barco de Carontes a caminho dos portões do inferno. Aquele, definitivamente, não era o sonho do pescador, este agora já não mais sonhava. As lembranças de casa foram esquecidas. O deslumbre pelo navio tornou-se um terror ao dar-se conta que nunca mais veria a sua amada, tão pouco, seus 2 amigos de tempos agradáveis e difíceis. 

O pescador deixou de sonhar o dia que descobriu o amor, dedicara todo o seu tempo pra torna-la feliz. Agora o pescador é um navegador de um navio cheio de mortos e, o seu único sonho, é ter um barquinho de pesca, um cão pulguento, um papagaio sem penas e uma senhora de cabelos branquinhos que está, nesse momento, a chorar em seu túmulo naquele velho caís no porto.

An. P. Maciel 



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