segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Voz na Sepultura



Caminhava, Eu, na noite escura,
Relembrando o descansar na fria sepultura
Que, outrora, ocupei.
Meu corpo pálido e sem vida,
Andando pela avenida
De flores mortas que pisei.

Perdida ao relento,
Ouvindo murmúrios no vento,
Um calafrio me consome.
Bem perto, muito perto uma voz me pede:
"Água, pra quem sede
E reza, pra quem tem fome."

Ainda há sangue nessas veias mortas
E vida nessas ruas tortas
De onde a voz escutei.
Ainda paralisada diante  a surpresa,
Avistei uma correnteza,
Na qual me atirei.

E a voz, mais uma vez, me seguindo,
Chorosa, inda pedindo:
"Água e reza por favor!"
E como poderia, Eu, dá ouvidos a este pranto,
E se fores algum Santo
Ou, até mesmo, o Senhor?

Que força tem uma alma errante,
Perdida em pensamentos delirantes,
Tão só e sem desatino?
E, agora, este som infernal
De uma melodia sepulcral
Entoada das notas frias de um violino.

An. P. Maceil

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