Por que eu sofro tanto,
Se as lágrimas do meu pranto
São insuficientes para dispersar?
E essas malditas feridas,
Que nem estão mais doloridas,
Ainda teimam em sangrar?
Por que a dor é maior que a felicidade
E muito menor que a saudade
E ocupa mais espaço que o amor?
Por que doe quando não se sente
E quando o corpo está doente
Doe menos que o dissabor?
Por que me sinto tão sozinha,
Se à minha volta há tantas "pessoinhas"
Que sentem o mesmo que eu?
E essa lacuna em meu peito,
Rasgando-me de tal jeito,
Buscando por um coração que não é meu?
Por que esse sofrimento não se extingue
E todo esse mal que me aflige
Teima em me atormentar?
E toda essa raiva guardada,
Tão bem aprisionada,
Teima tanto em me dominar?
Mas por que Senhor eu não morro,
Estou aqui implorando teu socorro,
Mas a coragem foge por meus dedos?
E há tantos por ai mais loucos
Que morrem por tão pouco,
Vítimas dos seus medos?
Por que me sinto tão frágil,
Se a vida p'ra ninguém é tão fácil
E a fraqueza me arrebatou?
E toda essa tristeza largada,
Por minhas pálpebras inundadas
Afogando-me no rancor,
Ainda teimam Senhor
Em encher-me de dor?
Diga-me Senhor,
Por que sinto esse arrepio na espinha,
Se o meu corpo já definha
Embalado num sono perfeito?
E esse fantasma que me apavora,
Perguntando-me: "Por que Choras?"
- Pela existência vulgar da raiva em meu peito.
An. P. Maciel

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