sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Meu Bem Mais Precioso




Ah, não! Nem venha, Sr. Ladrão, você não vai roubá-la de mim. Você não tem ideia do que passei, o sacrifício que suportei (e suporto) e a dor que me fez está aqui, agora. Não tem a mínima noção do que eu tive que abdicar, dos caminhos tortos que tive que caminhar, desviando dos perigos incessantes só para mantê-la segura. Você não sabe o quanto de orgulho eu tive que engolir, nem quantas estradas rochosas eu tive que galgar, ou de quantos espinhos eu tive que pisar. NÃO! Não irá levá-la, essa é o meu bem mais precioso.

Eu sei que tudo tem seu prazo de validade, mas, acredite, esse meu bem precioso ainda está na garantia então, até que se vença, não irei abrir mão disso... NUNCA. Isso é uma coisa que tantas pessoas têm, mas algumas ainda insistem em roubar a dos outros, já tantos outros se contentam em explorar-la e é verdade que ela dá bastante lucro nesse mundo capitalista de hoje. Se gastam verdadeiras fortunas só para fazer as manutenções.

Mas por que, afinal de contas? Que bem ela irá fazer a você? Pois saiba que quando tirá-la de mim, ela não terá mais nenhuma serventia, vai ser tempo jogado fora, para você e, principalmente, para mim então, por favor não a leve... Você já tem a sua, sei que ela parece bem mais usada e maltratada que a minha, mas deve valer quase o mesmo.

Já passei por tantos tropeços, erros e recomeços, não sabe o que tenho que passar diariamente para mantê-la bem, para que não se quebre. E o seguro para estas coisas estão, cada vez, mais caros, concorda? Mas, acredite, vale à pena, apesar dos sapos que tempos que engolir dia-após-dia.

Você sabe que há muitas oficinas especializadas (muitas em estado deplorável), mas enfim, sempre existem meios para concerta-la quando está quebrada.  Muitos, até, preferem um upgrade, adicionando coisas, removendo outras, alguns aplicativos zerados em última geração no mercado competitivista, mas eu prefiro a minha do jeito que é, de primeira mão.

Então, eu lhe peço Sr. Ladrão, leve tudo de menos valor que tenho aqui: pode levar o carro, o relógio, a carteira, podemos até passar em algum banco que tal? Mas por favor, eu imploro, não roube a minha VIDA. Não aperte o gatilho.  


 An. P. Maciel

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