O fim chegou sem demora
Extinguindo tudo sem nenhum
remorso,
Não poupando nem os destroços
Absortos nessa franca hora.
Levando palavras na tormenta
Do que poderia ser uma poesia,
Inundando os lares com água
fria.
Destruindo a tudo de uma forma lenta.
Antes que tudo virasse cinzas,
Juntos cantávamos os louvores de precação
E implorando nossa salvação
Em preces curtas e longas
rezas.
E os gritos findos ainda vagos
Nessa dolorosa sinfonia,
Fervorosos se calam na
elegia
Esquecida nos escombros dos
estragos.
Desfaleço, então, nesse
fúnebre dia
E antes que me torne cinzas,
Rogo a vós palavras indecisas:
Restaura em mim somente a
poesia.
An. P. Maciel

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