Não tenho amigos,
Não há amizade entre seres malignos;
Nem cumplicidade; Nem alento;
É assim com todos os vampiros.
E nem poderia ser amiga de um mortal,
Ele se tornaria meu alimento.
Não suporto mais isso,
É horrível ficar sozinha, sequer consigo lembrar
Como era sentir o calor de dois corpos grudados.
Meu corpo é tão frio,
Os meus lábios são tão gelados.
E meu coração enjaulado,
Faz tanto tempo que não o ouço bater.
Estou triste e sofro,
Mas nenhuma lágrima desce pelo meu rosto.
Há tantos machucados que não sangram,
Mas ainda os sinto doer.
E doe como se arrancassem o meu espírito
Com garras longas e sujas
E enterrando-o numa cova fétida,
Coberta por ratos e pulgas.
O que seria de um corpo sem o espírito?
Apenas um morto-vivo
Fazendo de cavernas imundas,
Seu único abrigo.
Se alimentando de carne humana,
Como se fosse um bem nutritivo
E esquecendo que ela é tão imunda
Quanto o seu corpo apodrecido.
E o que lhe resta: temer a morte?
Se as aberrações desse mundo
São mil vezes mais temerosas.
A deformação no rosto não assusta,
Quando se por dentro a deformidade é desastrosa.
Que mal há em quem nos julgue as atitudes,
Se por dentro é a criatura mais pavorosa?
Então, suplico a Vós, Grande Protetor:
Arranque de mim essa imortalidade.
Leva-me para qualquer lado
De luz ou obscuridade.
Atira-me para longe dessas criaturas
Sem moral e cheias de crueldade.
Leva-me longe desse reino maldito,
Denominado: HUMANIDADE.
An. P. Maciel

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