sábado, 1 de março de 2014

Torre Sombria




Escorada à janela
Da torre mais sombria,
Descansava a jovem
De tranças douradas,
Íris amendoadas
E a pele fria.

Seu olhar tão vazio
Esvaído em tristeza,
Mas, ainda assim, era brando.
Sua face bem delineada,
Parecia uma boneca de tão delicada
E de tão rara beleza.

E pálida ela era
Como um sol de outono,
Que brilha fraco,
Quase sem vida
Pela primavera esquecida,
Que o deixara em abandono.

Seu vestido branco de seda,
Tão puro como as nuvens no céu,
Parecia pele sobre a pele branca
Daquela criança despudorada,
Que usava as vestes rasgadas
Coberta por um pequeno véu.

E um vendaval sucumbiu
Desfazendo as tranças douradas
Da pobre dama adormecida
Que ressonava tranquilamente,
Não sentira o maldito incidente
Entrar pela janela escancarada.

Ali ficara caída,
Debruçada sobre a janela,
E as flores ao pé da torre morreram,
Como se tudo ali fosse assombrado,
Devorando tudo p’ra aqueles lados,
Até mesmo a bela donzela.

Matou tudo, morreu tudo.
A beleza imaculada
Atraiu o ser desprezível,
Que tirara sua inocência,
Com nenhum pingo de clemência,
A abandonando morta à janela escorada.

Descansa no alto à torre escura,
Tão alta que toca os céus
Aquela princesa que padecera
Com a mortalha branca rasgada,
Mas ainda com a beleza imaculada,
Como se fosse um anjo de Deus.
  

An. P. Maciel

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