À última canção de um anjo,
Ao começo de uma nova prece,
As almas em volta entoam,
Antes que o veredito comece.
Deus, então, dai-lhes a bênção
E suas palavras finais:
"Os destinos já estarão
traçados
Até os dias funerais."
E para cada alma que se vai,
Uma, então, na terra renasce
Com uma missão nas costas,
Mesmo que isso a desgaste.
Para alguns um presente
divino,
Mas já para outros sem sorte,
Uma vida desditosa
(Algo pior que a morte).
Alguns fazem fortuna,
Outros afortunados perdem a
alma,
Mas alguns pouco (bem poucos),
Sobrevivem de migalhas.
E para aqueles não
satisfeitos,
Deus, então, levanta sua voz:
“Para as pobres almas
errantes,
Seu destino será seu algoz.
E não desperdiçarás o teu
sangue impuro,
Nem tuas lágrimas descrentes.
A condenação já fora lançada
À tua alma idolente.”
E se ouvires os agoures dos
anjos
Teu coração já estará
predestinado
A pertencer a um coração igual
ao teu
Mesmo não estando apaixonado.
Mas já para aquele de míseros
infortúnios,
Deus lhe deixa o seu legado:
“Aquele não pertencerá a
nínguém,
Será poeta, o desgraçado.”
“Escreverás sobre tuas dores,
Injustiças e
desatinos,
Para que tantos outros chorem,
Para que sigam o mesmo caminho
E, Eu, aqui estarei rindo
Do teu doloroso destino.”
An. P. Maciel

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