quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Maldição



À última canção de um anjo,
Ao começo de uma nova prece,
As almas em volta entoam,
Antes que o veredito comece.
Deus, então, dai-lhes a bênção
E suas palavras finais:
"Os destinos já estarão traçados
Até os dias funerais."
E para cada alma que se vai,
Uma, então, na terra renasce
Com uma missão nas costas,
Mesmo que isso a desgaste.
Para alguns um presente divino,
Mas já para outros sem sorte,
Uma vida desditosa
(Algo pior que a morte).
Alguns fazem fortuna,
Outros afortunados perdem a alma,
Mas alguns pouco (bem poucos),
Sobrevivem de migalhas.
E para aqueles não satisfeitos,
Deus, então, levanta sua voz:
“Para as pobres almas errantes,
Seu destino será seu algoz.
E não desperdiçarás o teu sangue impuro,
Nem tuas lágrimas descrentes.
A condenação já fora lançada
À tua alma idolente.”
E se ouvires os agoures dos anjos
Teu coração já estará predestinado
A pertencer a um coração igual ao teu
Mesmo não estando apaixonado.
Mas já para aquele de míseros infortúnios,
Deus lhe deixa o seu legado:
“Aquele não pertencerá a nínguém,
Será poeta, o desgraçado.”
“Escreverás sobre tuas dores,
 Injustiças e desatinos,
Para que tantos outros chorem,
Para que sigam o mesmo caminho
E, Eu, aqui estarei rindo
Do teu doloroso destino.”

An. P. Maciel

Nenhum comentário:

Postar um comentário