segunda-feira, 17 de março de 2014

Santo ou Profano




A insensatez que me leva
A este intento profanado,
Em que a carne se refez no pecado
Deste sentimento infame,
Que devora a alma
(Com incessável fome).

Infectando a tudo,
Com notória pressa.
O que, antes, era puro
Fora corrompido e atirado
Pedaço por pedaço
No poço do arrependimento profundo.

O que era Santo se tornara demônio
Com  resquícios de fé, inda guardada
No lado oculto de um coração dilacerado,
Indigno de qualquer sentimento.
A raiva consola e deixa
Somente o ódio, aquele tormento
Que lança a dor por todos os lados.

Destruindo a tudo e ferindo.
Corroendo em arrependimento aquele insano,
Pelo pecado gasto, agora infindo.
O que antes era Anjo,
Agora se tornara Profano.

E o que importa agora o que era santo
Se um coração inocente ainda sangra?
Apunhalado com fraqueza tamanha,
Da pele fria às entranhas.

Do mais puro sentimento,
Só resta a tristeza
Deste corpo pecaminoso,
O que era Santo na infância esquecida
Renegada ao pecado libidinoso,
Deixando somente a ferida,
Aberta e apodrecida
De uma inocência que se desfez em cortes.

Santo ou Profano,
Meu coração continua sangrando,
Ansioso pela morte.


An. P. Maciel

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