Não tem chão que suporte um
corpo fraco
Ou uma luz que clareia a
mente sã,
Desta pobre demente
Corroída de Saudade...
Como matar uma alma que já
está morta
Ou ressuscitar um corpo
enfraquecido?
Tudo que sei, é tudo que me
contam
E lembranças que me escapam
Enfurecidas de Saudade.
E não há prazer que alivia
Ou dor que faça esquecer,
Se até os ossos se quebram
E a pele seca de Saudade.
A visão torna-se turva,
O mundo inanimado
E o Agora torna-se eterno.
As lágrimas parecem cessar,
Mas ficam só adormecidas
E, quando menos se espera,
a Saudade
Devora o peito
E elas caem como chuva,
Afogando tudo em um doce
amargo de lembranças.
E não há tempo que cure
Ou morte que traga
contentamento.
Tudo vira ruínas
Quando a Saudade entra sem
prévio aviso.
E quando ela faz do teu
corpo um abrigo
E se instala, pra nunca
mais sair.
Feliz daquele que não
possui espírito,
Para não ter que conviver
consigo mesmo,
Porque não tem Saudade pior
que aquela:
Que é perder uma parte de
si
E esquecer como ela era.
Ah, A Saudade!
Saudade eu tenho de mim
Que se foi
Pra nunca mais voltar.
An. P. Maciel

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