Sempre que olho além do vidro,
Das janelas embaçadas,
Vejo olhos castanhos a me fitar com ódio
–
Ora são luminosos como dois cristais
incandescentes,
Ora são frios sem qualquer brilho de vida
–
E para qualquer lado,
Por onde quer que eu caminhe,
Respire ou sinta,
Há sempre passos a me seguir
Na estrada estreita e perigosa.
Onde corpos se aglomeram em pele e
ossos.
Sussurros! Gemidos! Um suspiro ao
longe...
Vermelho por todos os cantos
E recantos mais escondidos.
O cheiro forte,
Um afrodisíaco queimando as narinas.
O instinto assassino,
Pesadelo ou sina...
Esse quebra-cabeça de retalhos
E de peças vivas.
Uma canção enfraquecida;
Não lembrada;
Não ouvida
Em horas soltas que matam o tempo.
O parasita inda rasteja por dentro
De cada veia pútrida
Desse monstro em carne viva –
Dessa peça única que se resume a vida
Do outro lado das janelas embaçadas,
Ah, essas órbitas vazias
Banhadas em lágrimas!...
Meu algoz reside aqui dentro
Matando todo o espírito inocente.
An. P. Maciel

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