domingo, 25 de maio de 2014
Uma taça feita de um crânio humano
By Lord Byron
Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim virás -- pobre caveira fria --
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
-- Taça -- levar dos Deuses a bebida.
Que o pasto do réptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
... Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor aí repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...
(TRADUÇÃO de Castro Alves)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário