quinta-feira, 5 de junho de 2014

A máscara da ilusão




Palavras doces,
Que traduzem mentiras,
Subornando o certo;
Condenando o errado.
Matando às carícias,
Aos beijos venenosos
A face de pedra,
Rachada em remorsos...
Estão todos mascarados.
Em seus castelos de cartas,
Temerosas ao vento,
Devorando miséria,
Vomitando excrementos
Nessa vila hostil,
Cheia de futilidade,
Onde criaturas medíocres habitam,
Sem lar, emoção ou honestidade.
Sorriem, mas por dentro não há nada
Que aplaque a dor
Ou que traga felicidade...
Estão todos mascarados
Com a máscara da ilusão.
Devotos pregadores
Sem moral e religião.
Espelhos manchados
Que distorcem a realidade.
A razão deturpada pelo instinto animal,
Mas a verdade está lá, bem guardada.
Ela machuca e faz mal.
E o exército de ódio sabe disso.
Decoram mais rostos,
Reformam faixadas,
Mas o tempo não corre para trás
E tudo apodrece
E só restam as cinzas
E a máscara da vergonha,
Para esconder a face de madeira.

A justiça é cega, mas o perdão não.
E não importa
Quantas máscaras usem à existência forjada,
Elas não encobrem seus passos
E nem os odores malditos,
Pois o que já está morto por dentro
É impossível de ser maquiado.


An. P. Maciel

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