Sinto-me livre como a muito não sentia.
Livre como a canção que toca em harmonia
Ao meu coração num palpitar dançante
Suprimindo esse silêncio gritante
Que me atormenta a cada madrugada
Ou quando penso em absolutamente nada.
Sinto-me livre ao olhar no espelho
Feito nessa poça de pingos vermelhos
Desses cortes já entorpecidos.
Vejo meu reflexo empalidecido
Sumindo um pouco mais a cada segundo
Nesse abismo negro e profundo.
Sinto-me livre uivando pra lua,
Correndo e gritando nessa sombria rua.
A chuva caindo molhando minha face
Antes que se despedace
E perca-se nessas calçadas sujas
Ou antes, que notem minha súbita fuga.
..............................................................................................................................................................................................................
Estou livre nessa canção que me embala,
Ou nesse silêncio estridente que se cala.
Estou livre no espelho sem reflexo
Desse meu eu sem nenhum nexo.
Estou livre nessa rua na qual corro com
pressa,
Livre nessa chuva que nunca cessa.
An. P. Maciel

Nenhum comentário:
Postar um comentário