segunda-feira, 23 de junho de 2014

Floresta




O espírito da floresta descansa
depois de velar a natureza empalidecida.
O vento clama por vingança
às criaturas aladas da fauna esquecida.

O fogo consumira o vale e os montes,
pintando os bosques com cores soturnas.
O verde escurecera no horizonte
numa eterna hora noturna.

Os pássaros entoam a canção mais triste
e as folhas dispersam-se dos galhos feridos.
A seiva morre, mas o caule ainda insiste
a manter-se em pé num esforço sofrido.

As árvores estrondosas, que alçavam o céu,
frágeis vieram ao chão matando flores e casulos...
Então veio a chuva amarga como o féu,
 deixando lama no cemitério sem túmulos.

A floresta não respira mais,
seu espírito aprisionado na lembrança:
onde os pássaros sussurram seus ais
e o vento clama por vingança...

A fauna encantada que fábulas reunia,
desfez-se em pedaços
restando uma densa floresta sombria
feita de concreto e aço.

An. P. Maciel


Nenhum comentário:

Postar um comentário