Sabe aquele elo essencial que liga a melhor parte em você
àquela parte mais importante?
E quando esse pequeno elo se rompe
e essa parte se perde?
Quantos pedaços mais iriam se perder
e quais iriam fazer mais falta?
Não se necessita de muito
quando um só é capaz de suprimir
todos esses outros pedaços,
tornando-os insignificantes.
É esse o pedaço que me falta.
Um pedaço que não é meu,
mas já está tão enraizado dentro de mim
que parece ter nascido comigo.
Esse pedaço amputado da minha alma
assim de repente e sem anestesia.
Um pedaço feito de outra carne,
compatível com o meu sangue.
Esse pedaço que perdi
lançado a tantos outros...
Impossível para ser reconhecido.
Não o tenho mais...
Não nasceu grudado a mim,
mas não há nenhuma peça
que caiba nesse espaço em branco
que restou na minha pele gelada.
E todos os outros pedaços ficam soltos
como um quebra-cabeça espalhado pelo chão.
E esse pequeno pedaço que desconheço,
mas já tão essencial em mim
como um todo,
se foi deixando os outros pedaços
sem nenhum valor;
mas são as únicas partes que me pertencem;
os pedaços em mim que já estão
mortos...
E o pedaço que ainda respira
longe do meu Eu despedaçado.
An. P. Maciel

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