Certa vez - a um tempo recente,
perdida em pensamentos, não senti a chuva
aguar o meu rosto fortemente.
Apressei os meus passos,
em retas e curvas,
ao meu destino certo trancafiado...
E sem alma vivente.
O vento e os pingos embaçavam minha vista,
mas estou certa de que vi à frente,
antes que eu atravessasse a pista:
uma estátua lameada
que parecia gente -
talvez um empecilho esquecido ao relento
ou uma obra de um grande artista.
Então a estátua tossiu de uma forma estrondosa.
Uma tosse que dói o peito,
talvez marcas de uma febre dolorosa.
Duvidei ao certo
o que eu poderia ter feito,
para aliviar aquela dor que nutria em mim
de uma forma bem vergonhosa.
É essa indiferença que atinge a tantos como eu,
de ter que fechar os olhos para não sentir pena
das tantas estátuas que andam e ninguém percebeu -
não são obras de arte
para complementar às cenas
do cotidiano encoberto à miséria
dessas pobres almas esquecidas por Deus.
An. P. Maciel

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