Faz um tempo, eu já não lembrava,
Num fim de tarde de alvorada,
A lua no alto que iluminava
Aquela fatídica noite que já surgia,
Lembrei-me que naquele dia,
Onde a infância em mim reinava aos ventos,
E a ilusão ainda existia
Na cabeça de criança levada,
Soube que uma pobre coitada
Faleceu, sem real motivo
Naquele dia, envenenada...
Deixando para trás uns tantos outros aflitos.
Minha pequena mente entrou em conflito:
-- Quem seria cruel a tal ponto
Dessa forma dolorosa e sem grito
De calar a alma de quem está vivo?
Alguns disseram que este foi o jeito passivo
De tirar a vida para que não sinta
A dor desse golpe covarde e agressivo -
De ser morto por alguém que ama!
Mas eis que minhas ilusões foram jogadas à lama,
Quando soube a verdade tosca encobrida: -
A jovem pálida, sem vida na cama,
Morreu porque quis, por nenhuma razão. -
Aquilo doeu-me como um punhal no coração.
O medo da morte a muito me assombrava,
E saber que ali a morte foi a única salvação,
Aprofundou-se em mim esse sentimento sombrio,
Tornando-me então um ser humano frio.
Porque entendo os motivos da pobre coitada
que veneno de rato engoliu.
Viver tem um gosto amargo
Quando a vida se torna
Um frasco vazio.
An. P. Maciel

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