Só mais um que passa
de frente à calçada,
com a face sem graça
na carruagem importada.
Sua pele maciça
e seus cascos de grife,
passa e nem olha,
como se tivesse preguiça.
Desviando,
como se fôssemos patifes.
E esquece que sua lataria reluzente
polida por mãos calejadas,
que despertam antes do sol nascente
e descansam no começo da madrugada.
As mesmas p'ra quem ele vira o rosto
quando caminha por essas ruas, sem segurança.
Alguns sorrisos para manter o posto,
e talvez alguns votos de confiança.
Saúdem o Homem de Lata,
o escravocrata do capitalismo.
Enforcando-se com a própria gravata,
nesse nó malfeito do consumismo.
Não é sangue que corre
entre suas veias secas,
somente o álcool por ali escorre,
fazendo pulsar aquelas expressões dantescas.
O cansaço não o faz parar,
seu estômago, um poço profundo de fome.
Seu bolso devora sem pestanejar
e vomita mentiras nos pratos que come...
Saúdem o Homem de Lata,
a besta incompreendida, e com razão.
É só mais um pobre aristocrata
oco, sem coração.
An. P. Maciel

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