terça-feira, 30 de setembro de 2014

Era




Palavra tão depressiva essa.
Esse Ser do passado assemelhado à morte.
A sentença cruel, exata e proferida
Quando o esquecimento aproxima-se desenfreado
Numa solitária nota da canção que silencia,
Na exatidão do momento em que a vela se apaga
E as flores murcham na notória vala.

Escurece num clima ameno de lágrimas,
Lembranças soltas levadas no vento
Deixando um triste pensamento aniquilado:
“E como seria se não fosse e se acaso tivesse sido?”
A beleza enterrada pelo tempo...
O presente perpetuado às Eras.

Descansa assim num sono de sonhos tranqüilos
Onde as palavras não ferem e não causam constrangimento.
A memória esquecida nesse curto espaço de tempo
De nunca ter pertencido,
De não ser.
Era,
Mas nunca será até aquele momento:
O seu fim para o começo de uma nova história.
Uma história que jamais foi sua,
Mas todos afirmam que era.

An. P. Maciel

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