quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O menino que queria desaparecer





Custava muito olhar pr’a ele,
doía tanto,
cada passo ou um piscar dos olhos.
O corpo magro e pálido
evanescendo no calor do dia.
E aquele olhar gélido
que, lhe era lançado,
 mastigava
a expressão apavorada
que se desenhava quando o sol surgia.

O sorriso amarelo ali sobreposto,
ensaiado com a ilusão adversa
a tudo que vivia,
e a morbidez era tanta naquele singelo rosto
que, nem nas sombras do bizarro infindo
ou nas belezas do paraíso escondido,
adoçaria o coração cheio de desgosto.
Doía, doía!
Era assim que ele se sentia.

Seu nome era pronunciado
num sussurro quase exaurido,
como que blasfemado fosse à corrente imposta.
A família o escondia de tudo,
era imperdoável, mas ainda assim preciso.
O menino só queria ser menina,
mas que alma humana entenderia?
Seu maior erro nasceu no desejo errado,
mas parecia tão certo para ser castigado,
então por que toda essa fúria assassina?

Sua boca era imunda, assim todos diziam,
por só querer os beijos de outra igual a sua.
E todo aquele desejo contido,
transbordando por seus olhos sofridos.
E todos aqueles sentimentos intocados,
compreendidos em cada livro que lia.
Antes dera fosse invisível,
para que nada lhe fosse negado.
Para que nada fosse perceptível.


Doía, doía...
Era assim que ele se sentia.

An. P. Maciel

Nenhum comentário:

Postar um comentário