O que há de novo, Demônio
Nestas horas tristes e mortas?
Como um medo tão profundo,
Que minha alma suporta,
Pode tando dominar
A minha mente tão confusa
E como pode esse desespero
Tão amargo me aprisionar?
O que há de novo, Demônio
Nestes meus dias tão sombrios,
Como minha vida é entediante
E como o sol pode ser tão frio?
Por que tantas nuvens teimam
Em ofuscar minha visão?
Não há beleza no céu,
Tão pouco, em meu coração.
O que há de novo, Demônio
Neste mundo pavoroso,
Como um sentimento de amor
Pode ser tão perigoso?
Mas por que eu sofro tanto
Se não fiz mal a ninguém?
Por que há tanta dor
Só por amar alguém?
O que há de novo, Demônio
Nestes meus sonhos tão vagos?
Por que são tão vazios
E tão solitários...?
An. P. Maciel

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