Como isso podia,
não perceberam ou não se importaram
com a garota que se matava
um pouquinho a cada dia?
Eles nem viram os cortes,
nem sua face derrotada,
simplesmente, ignoraram
os sinais nela de morte.
Ela mal saia. Mal se alimentava.
Como não perceber, estando na mesma casa?
De dia ela só dormia,
à noite ela chorava.
Fingiram ou não se importaram
com o frasco escondido em seu quarto,
nem com os vômitos de sangue no banheiro.
Se calaram... Limparam.
Como ela pôde suportar
o repúdio em seus olhares,
o ódio em suas faces,
o desprezo por respirar?
Mas como isso podia,
não perceberam ou não se importaram,
não viam que ela tomava
uma dose de veneno a cada dia?
Não viram os cortes profundos
mancharem suas mangas compridas.
Não perceberam que para ela,
acabara-se o mundo.
Nem sair mais ela saia.
Como não perceberam? Moravam na mesma casa.
A noite ela gritava,
de dia só dormia.
Fingiram ou não se importaram
com o frasco vazio em seu quarto,
nem com os vestígios de sangue nas paredes.
Se calaram... Pintaram.
E ela ainda suporta, apesar,
do repúdio em seus olhares,
o ódio em seus faces,
o desprezo por ainda respirar.
An. P. Maciel

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