Doce Alma afligida,
que habita essa carne imunda
desgastada em imensa tristeza profunda
nesse mausoléu em que vivo,
por entre essas paredes que eu respiro.
Oh, como são favoráveis os meus dias
de intensa melancolia!
A cada novo amanhecer,
uma promessa.
O tempo passa dolorosamente lento,
sem pressa...
E pensamentos mórbidos de suicídio.
Minha cabeça doe,
a febre nunca cessa.
Não consigo explicar:
"Como posso sentir tanto frio?"
Sou apenas um pedaço de trapo
predestinado à miséria infinda.
E tudo o que tenho são somente palavras,
esquecidas ou escancaradas
em páginas arrancadas do que é a minha vida.
Ninguém percebe.
Ninguém sabe ou finge não saber como me sinto.
Ah, doces palavras de conforto
que me desgastam!
Nunca pronunciadas.
Desde os primórdios da minha cruel existência
aderi ao jogo do fingir.
Finjo que ignoro.
Finjo que não me importo.
Finjo que não doe.
Finjo que não choro.
Mas quando as luzes se apagam,
meus olhos transbordam águas turbulentas
de todo um choro engolido...
E o fingir já não é tão necessário,
quando se estar em um quarto vazio.
An. P. Maciel

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